Experiência materna: Cama compartilhada

Esse assunto é polêmico, mas como QUASE tudo na maternidade não há certo ou errado para mim. O certo na criação dos filhos é levar em consideração seus instintos e princípios.
Eu faço cama compartilhada com o meu filho desde os seus 3 meses de vida. Ele veio para casa muito pequenino (1.820kg) e não tinha segurança de deixa-lo conosco na cama (segui o meu instinto e fiz o certo, pois cama compartilhada não é recomendado para recém nascidos prematuros). No início ele dormia em seu carrinho (eu achava o berço muito grande para coloca-lo lá) e depois de 1 mês dormia no berço grudado à nossa cama. Com o tempo, naturalmente, ele foi ficando em nossa cama mesmo. Ele nunca foi de dormir a noite toda, sem acordar para mamar, e toda vez que eu acordava, acabava deixando ele conosco. Era mais fácil, e me permitia dormir melhor. A partir daí ele tem dormido conosco, e tem sido bem positivo para nós, mas, cada família tem uma forma de ver isso e eu entendo quem não faz essa escolha, e como tudo aqui em casa, tomamos a decisão juntos.

O maior benefício da cama compartilhada é incentivo ao aleitamento materno, principalmente o aleitamento materno prolongado. E as pesquisas mostram que quando o bebê dorme com sua mãe, triplica a quantidade de mamadas durante a noite, e quanto mais mamadas, menor a chance de morte súbita. E o inverso também é válido, e ainda, bebês que usam fórmulas é 2 vezes maior o risco.

Bebês que dormem com os pais choram menos e sentem-se mais seguros. O motivo é óbvio, a sociedade hoje entende que os filhos tem de ser, desde cedo, independentes, e o melhor mesmo é acostumar no berço, carrinho, em quarto separado, sempre o mais longe possível da mãe e do pai. Eu me pergunto o motivo, pois o bebê viveu 9 meses no ventre da mãe, nasce sendo incapaz de cuidar-se sozinho, totalmente dependente e ao cortar o cordão umbilical, esquecem-se que permanece uma ligação invisível entre a mãe e seu filho criada no ventre, e que esse encontra conforto nos braços de seus pais, e ao a contrário do que querem nos fazer acreditar, o apego é natural e positivo. Com a mãe ao seu lado ele sente mais próximo do que vivia no útero.

A cama compartilhada permite que a mãe tenha um sono de mais qualidade. E mãe melhor descansada é sinal de criança melhor cuidada, sempre. Após os filhos a mãe vive em alerta, e a qualquer gemido já desperta para necessidade do seu bebê. Como ele ao seu lado, ela pode suprir a necessidade do seu filho rapidamente, e ainda sem a necessidade de ter de levantar.

O bebê sente-se mais tranquilo quando há o conforto, calor e cheiro de seus pais próximo a ele, pois ele sabe quanto não está sozinho e esse conforto auxiliar no  seu desenvolvimento cognitivo e afetivo.

Pesquisas recentes demonstram que o risco da cama compartilhada provocar morte súbita está em:

  • Pais que usam medicamentos que provocam sono ou alterem o nível de consciência.
  • Pais que  usam drogas ilícitas.
  • Uso de bebida alcoólica.
  • Pais fumantes.
  • Quando um dos pais, ou os dois são obesos.
  • Bebês que não amamentam (Neste caso é mais seguro um berço ao lado da cama).
  • Quando um dos pais, ou os dois possuem apnéia do sono.
  • Bebês prematuros.

Para a prática da cama compartilhada é necessário que os pais decidam juntos, e que pratica não atrapalhe a intimidade do casal. Pois, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria a cama compartilhada aumenta o risco de morte súbita, por trazer risco de sufocamento com lençóis, travesseiros e cobertores ou pelos próprios pais e ainda aumentar a temperatura corporal do bebê, por isso ela não recomenda a prática. Portanto, tem de ser discutido esse assunto para quem fizer tal escolha, possa apenas usufruir dos seus benefícios, sem risco ao bebê. Mas, basta pesquisar “cama compartilhada” no Google que você encontrará milagres de artigos e discussões sobre o assunto e poderá tirar sua própria conclusão.

Dicas de como eu faço a cama compartilhada segura aqui:

  • Vestir o bebê com roupas adequadas para a temperatura do ambiente e não cobri-lo, manter o ambiente ventilado.
  • Colocar o bebê do lado da mãe, e o pai atrás da mãe, pois esta normalmente permanece em alerta.
  • Nunca colocar o bebê na cama com alguém que já esteja dormindo e não esteja ciente sobre isso.
  • Colocar a cama escostada na parede, para evitar queda.
  • A superfície da cama tem que ser firme.
  • Estar seguro da escolha, se não estiver seguro opte por um berço ao lado da cama.
  • Evite muita roupa de cama, lençóis, cobertores, edredons.
  • Invista em uma cama grande.

Aqui em casa tem sido uma maravilha essa experiência, e nós amamos dormir com nosso bebê. Como eu não tive a “sorte” de um bebê que dorme a noite toda, dormir com ele me permite descansar. E o que me deixa mais tranquila sobre essa decisão, é que ele tem crescido tão rápido, e preciso aproveitar ao máximo esta dependência. Eu me lembro, quando me perguntava quando ele ia parar de preferir meu colo, e passaria a preferir o chão, esse dia já chegou aqui, desde que ele começou a andar. Por isso não nego colo, não nego carinho e atenção e sou a favor da cama compartilhada. Mas esse escolha tem de ser feita de forma consciente e com segurança. O meu bebê que antes acordava de hora em hora, hoje, acorda 2 vezes no máximo a noite e sem necessidade de deixa-lo chorar, para voltar a dormir. É claro, que o motivo é porque durmo ao seu lado. Mas, em breve, pretendemos colocá-lo no berço, até porquê minha cama é de tamanho normal, e ele cresceu. Porém, faremos o possível para que essa transição se de com a maior tranquilidade. A minha única certeza é: logo ele cresce e não vai querer mais dormir conosco. Então, vamos aproveitar.

E vou dizer uma coisa, a prática de cama compartilhada não é recente, a prova é que minha mãe fez comigo e meu irmão. Não tenho uma pesquisa que comprove, mas eu vejo tantos benefícios por isso.

Qual a sua opinião? Você também faz cama campatilhada?

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Aqui conto minha experiência, informe-se com o seu pediatra. 🚼📢

REFERÊNCIAS:

 Luciana Herrero, pediatra e consultora internacional de amamentação. Revista crescer. Globo.com. 2016

Dr Kelly Oliveira. Blog Pediatria descomplicada. Pediatra. 2016.

Cláudia Ratti. Delas.ig. Cama compartilhada entre pais e filhos: há certo ou errado?

Sociedade brasileira de pediatria.

 

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