Convulsão febril na infância: Entenda.

A convulsão febril (CF) é um mal que ocorre normalmente na infância – na faixa etária de 3 meses a 5 anos. A CF pode acontecer em caso de aumento abrupto da temperatura e/ou alta temperatura corporal (maior que 38°C), ocasionando uma exacerbada descarga elétrica no sistema nervoso central temporária.

Quando falamos de convulsão febril, como o nome mesmo já supõe, é uma convulsão que ocorre associada a febre. Porém, devemos diferenciar a convulsão febril que é de caráter benigno, de outras patologias que podem ocasionar uma convulsão, ou a convulsão ser indicativo de um mal maior, sendo assim a Convulsão febril é diferenciada de:

  • Eplepsia: Crises convulsivas afebris (sem febre) recorrentes.
  • Crianças que tiveram convulsões sem a presença de febre.
  • Deve ser descartado para diagnóstico de uma convulsão febril, infecções intracranianas (ex.: Encefalite, meningite) ou outra causa neurológica.

Porque a convulsão febril ocorre na infância? 

Ocorre geralmente na infância devido ao sistema nervoso central ainda estar em desenvolvimento, portanto, imaturo.  Em conjunto de infecções que possam provocar a febre, causa descargas elétricas desorganizadas  e temporárias nos neurônios.

São classificadas em:

  • Simples: Crises tônico-clonicas, afeta os dois lados do cérebro e causa perda de consciência e contrações musculares involuntárias, com curta duração – em média 5 minutos.
  • Complexas: Crises focais, que atinge apenas uma parte do cérebro, tem duração de mais 15 minutos e/ou é recorrente em menos de 24h.

A CF simples ocorre em 80% dos casos, sendo que é comum ocorrer apenas um episódio de convulsão febril em toda a vida. Como dito anteriormente, é de caráter benigno, mas causa grande angústia a família, porém uma das maiores pesquisas sobre o assunto observou que não houve casos de morte, sequelas permanentes e deficiência intelectual em crianças que apresentaram convulsão febril. Mas existem fatores que influenciam para a recorrência de novos episódios de convulsão febril e são:

  • Primeira CF antes dos 18 meses de idade.
  • História famíliar de CF.
  • Duração menor que uma hora de febre antes da primeira convulsão febril.

Cuidados em crise convulsiva febril:

  • Mantenha a calma.
  • Proteger a cabeça da criança com as mãos, ou travesseiro, para que ela não se machuque.
  • Lateralize-a ou vire sua cabeça de lado, para que escorra a saliva, e limpe para facilitar a respiração.
  • Retire objetos e pessoas ao seu redor e a deixe livre, nunca tente segurar os membros impedindo os movimentos, eles são involuntários, você pode feri-la.
  • Afrouxe as roupas.
  • Não tente introduzir nada em sua boca e muito menos colocar a mão.
  • Não de remédios no momento da crise ou qualquer outra coisa.
  • Peça se possível para que alguém anote o tempo da crise convulsiva, essa será uma informação importante, para saber a gravidade.
  • Após a crise procure atendimento médico imediato.

No pronto socorro o que será investigado?

  • O médico irá investigar a história da crise (duração, duração da febre, sintomas apresentados).
  • Exame físico minucioso: Avaliação da fontanela (popularmente conhecida como moleira) é imprescindível para verificar sinais de infecções neurológicas.
  • Exames laboratoriais para identificar o motivo da febre – se não for identificado o foco (garganta, ouvido, etc.).
  • A punção lombar é obrigatório em caso de suspeita de meningite (fontanela abaulada, rigidez na nuca e letargia) e é fortemente recomendada em crianças menores de 12 meses de idade que apresentam o primeiro episódio de convulsão febril.
  • O eletroencefalograma pode ser útil em convulsões febris complexas, para tentar identificar o prognóstico de reincidência.

Eu imagino o quão angustiante deve ser ter um filho que apresentou uma convulsão, porém alguns exames não são úteis neste caso, como a ressonância e a tomografia, e ainda pesquisas demonstraram aumento de tumores em crianças que foram submetidas a exames de imagem sem necessidade.

Tratamento

  • Fase aguda: a maioria das crianças chegam ao pronto socorro após a fase aguda, no pós-ictal (pós a convulsão), o médico avaliará vias aéreas, circulação e consciência e após será utilizado a medicação específica.
  • Fase profilática: Será avaliado a necessidade de uso de medicação profilática contínua ou intermitente. O uso geralmente é indicado em crianças que apresentam fatores que aumente o risco de recorrência. As medicações mais utilizadas são os benzodiazepínicos (diazepam, clonazepam).

Orientação aos familiares

Sou mãe, e nem imagino passar por isso, mesmo sabendo que é benigno, ver um filho passar por uma situação dessa é de desesperar qualquer pessoa. Portanto, é necessário orientar os pais sobre os cuidados e explicar sobre a diferença entre uma convulsão febril para outras crises convulsivas mais graves, que podem estar relacionados a infecções sérias como a meningite.

📢As orientações das página são apenas informativas, em caso de dúvidas procure atendimento médico.

Enfª Lirian Tairy

Beijo

Referências

Marilisa M. Guerreiro. Tratamento de crises febris. Departamento de neurologia. 0 Jornal de Pediatria – Vol. 78, Supl.1, 2002.

Sarah Pinheiro de Alencar. Convulsão febril: aspectos clínicos e terapêuticos. Artigo de revisão. Residente de Pediatria do Hospital Universitário Walter Cantídio – UFC REV Med UFC. 2015;55(1):38-42.

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