Como as práticas hospitalares influenciam na efetivação da amamentação.

*Antes de começar o texto um aviso. Eu tive um parto prematuro, via cesária, meu bebê foi aspirado, fui proibida de amamentar meu filho por quase 10 horas após o nascimento (devido a sua prematuridade), fui separada dele por mais de 1 hora, só o conheci quando cheguei no quarto, meu filho por ser baixo peso, foi pesado todos os dias, e ofereceram complemento (só para resumir) e o texto abaixo, tem a finalidade de informar e não de julgar. Pois, somente após entender tudo isso, compreendi minha dificuldade com a amamentação nos primeiros dias. E eu acredito, que há intervenções necessárias, mas tudo tem de ser feito com cautela.

Então vamos lá…

Para o aleitamento materno ser efetivo e duradouro é necessário que o bebê tenha capacidade de fazer a pega, sugar, deglutir e respirar sem dificuldade e a mãe possuir colostro/leite, disponibilidade para oferecer o peito várias vezes ao dia e ainda apoio do círculo familiar e de profissionais. A neurociência provou que o recém nascido nasce com um reflexo de busca do seio da mãe, mas que esse fator pode ser prejudicado.

Isso parece óbvio. É claro que todos esses fatores são essenciais. Porém, existem práticas hospitalares, que mesmo ditas como inofensivas podem prejudicar qualquer um destes fatores e dificultar a efetivação da amamentação na díade mãe e bebê. O que explica o aumento na dificuldade na amamentação por muitas mães, atualmente.

Não somente o parto cesárea mas, o parto normal, hoje, também traz práticas que podem prejudicar a concretização do aleitamento materno, ou ainda promover um desmame precoce.

Praticas hospitalares que prejudicam o aleitamento materno:

1. Indução do trabalho de parto (Uso de oxitocina)

Estudos indicam que o uso de oxitocina no trabalho de parto ocasionam um perda da capacidade do recém nascido em seu reflexo de busca do seio materno e uma debilidade na sucção no pós parto imediato. E ainda o uso de oxitocina promove contrações em menor período de tempo, intensas e curtas. Causando uma maior pressão na cabeça do bebê, aumentando seu nível de estresse e impedindo que ele consiga se recuperar entre uma contração e outra. O seja, o bebê nasce mais cansado (com maior dificuldade respiratória), choram mais, e em resumo, prejudica a amamentação.

2. Uso de analgésicos e anestesia (epidural em parto normal e raqui em cesária)

No uso de analgésicos e anestesia, apesar de serem escolhidos os que podem causar o mínimo de efeito no bebê. Ainda assim, promovem ação no recém nascido. E estes bebês, normalmente apresentam maior dificuldade na sucção e força nas primeiras horas de nascimento.

3. Uso de fórceps e vaco extrator (instrumentos utilizados em partos normais difíceis, para “ajudar” a saída do bebê).

Esses instrumentos, eles exercem uma força no crânio do bebê e causam praticamente o mesmo efeito do uso da oxitocina. E além disso, sua força mecânica é exercida em locais onde passam nervos importantes para a movimentação da língua, palato mole e respiração. E qualquer dano em algumas dessas inervações terá efeito negativo óbvio na amamentação.

4. Episiotomia (uma incisão efetuada na região do períneo (área muscular entre a vagina e o ânus) para ampliar o canal de parto).

A episiotomia é uma prática comum em partos normais hospitalares. Porém, é uma prática que vem sido provada desnecessária e ainda mais, um violência obstétrica. Esse procedimento causa dor no pós parto (exactamente com o corte da cesária), prejudicando a escolha de posição para uma boa pega

5. Hidratação venosa da mãe no trabalho de parto e parto.

A hidratação é utilizada principalmente quando é feito o uso de analgesia e anestesia. Esse procedimento promove aumento do líquido corporal da mãe e por consequência do bebê. Fazendo ele nascer com peso não real e promovendo uma perda maior que 10% do peso (que é o normal) após o nascimento. E para bebês que perdem mais peso, geralmente são prescritos uso de complementos, que é prejudicial a amamentação. E ainda, proporciona um sentimento de incapacidade da mãe em alimentar seu filho.

6. Parto prematuro.

Tanto em partos prematuros decorrentes de alguma intercorrência na gestação, mesmo que por via normal, como em parto cesária sem indicação e realizados de forma eletiva (marcada) antes mesmo da mãe entrar em trabalho de parto, promovem o nascimento de bebês imaturos e com debilidade no reflexo de sucção e busca do seio da mãe. Fora que bebês nascidos antes do tempo, normalmente possuem imaturidade pulmonar e dificuldade respiratória. E por fim, também tem papel na apojadura (descida do leite) tardia.

6. Aspiração das vias aéreas do bebê.

A aspiração é mais um procedimento, dado como normal, porém que deveria ser realizado apenas em situações específicas (dificuldade respiratória, bradicardia, presença de mecônio no parto). Pois, quando utilizado, ele promove uma aversão oral no bebê, causado uma rejeição ao colocar algo em sua boca, neste caso o seio materno.

7. Separação de mãe e bebê.

A mamada na primeira hora de vida é essencial para apojadura e para a imunidade do recém nascido, pois este nasce com o intestino estéril, é o colostro que promove a preparação do intestino na proliferação de bactérias boas para uma flora intestinal saudável e proteção gastrointestinal. E é logo após o nascimento que o bebê possue um maior reflexo de busca do seio da mãe, após esse hora os bebês geralmente ficam mais sonolentos o que diminui o reflexo. Portanto, a separação da mãe e do bebê, principalmente nas primeiras horas de vida é prejudicial a amamentação e aumenta a chance de prescrição de complementos.

Mesmo a separação da mãe e bebê para procedimento como pesar e medir podem prejudicar a amamentação. Pois, a separação aumenta o nível de cortisol (hormônio elevado no estresse) que prejudica uma boa relação mãe e bebê.

9. Uso de complemento/fórmula.

O uso de complemento em recém nascidos, é prejudicial para apojadura (bebê complementado mama menos o peito, portando, sem sucção, atrasa a descida do leite), para o emocional da mãe (sensação de incapacidade) e diminui a chance do recém nascido usufruir os benefícios do colostro. Portanto, deve ser indicado e prescrito com muita cautela.

Esses são alguns dos fatores que podem prejudicar a amamentação, mas toda e qualquer intervenção, mesmo que necessária, que interfira no processo natural do trabalho de parto, parto e a relação mãe e bebê, provoca efeito neste processo. Portanto, é necessário avaliar e priorizar o mínimo de interferência do curso do parto e pós parto. Fazendo, realmente, quando necessário algum tipo de procedimento. Pois, salvo em situações de risco para mãe e bebê, o parto tem de ser um situação natural para assim ser também o aleitamento materno.

Beijo

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